A derrota da candidatura ibérica à organização do Mundial 2018 deixou uma parte dos portugueses triste com esse resultado. No entanto, outra parte (que suspeito ser vasta, a avaliar pelas opiniões que se vêem nas redes sociais) ficou satisfeita com a derrota, considerando-se aliviada da ameaça de mais um prejuízo financeiro para o nosso país. Devido ao facto de Portugal ter um passado relativamente famoso em derrapagens financeiras nas mais diversas obras e projectos, estes receios dos portugueses eram perfeitamente válidos e, diga-se, naturais.
Por um lado, os optimistas em relação à candidatura ibérica do Mundial 2018 consideravam que este evento era uma boa oportunidade de atenuar investimentos que foram feitos pelo EURO 2004. Partindo do princípio de que não havia gastos escondidos na manga da candidatura ibérica, já que não iria ser necessário construir estádios e outras infra-estruturas (repito novamente, partindo do princípio...), o Mundial 2018 teria, para estes cidadãos, um impacte positivo para Portugal e seria também uma forma de rentabilizar os estádios e outras estruturas do país. E dizem ainda mais: a decisão que a FIFA tomou no dia 2 de Dezembro tornou o europeu de há 6 anos mais caro. Porque, provavelmente, esta terá sido, talvez, a última oportunidade para Portugal receber um grande evento desportivo aproveitando (sem ter de fazer melhorias) os actuais estádios.
Já os mais críticos olhavam com desconfiança para esta candidatura ibérica. Era uma prioridade nacional? Não. Iria mudar a economia do país? Também não. Para alguns economistas, os benefícios são normalmente sobreavaliados. Outro dos pontos que estes críticos referem incide sobre a aliança luso-castelhana, que, para eles, geralmente, dá sempre maus resultados. Isto porque, normalmente, dá-se sempre uma maior evidência aos nuestros hermanos, havendo uma subalternização portuguesa. E os mais críticos consideram que isso já estava a acontecer mesmo antes dos resultados serem divulgados. A candidatura é, de facto, de dois países, mas Portugal só iria ver o Mundial no Porto e em Lisboa, por isso não haveria condições para se organizar um Mundial no nosso país, segundo estes cidadãos mais pessimistas. Para além disso, olham para o EURO 2004 como um bom exemplo para confirmar ainda mais as suas opiniões. Segundo eles, apenas os estádios dos três grandes e o do Guimarães possuem taxas de ocupação razoáveis. Assim, e citando, “seria surrealista avançar para a concretização de uma competição desta índole a solo...para voltarmos a patrocinar elefantes brancos quando o país tem outras necessidades (...). Que orgulho ou vantagem teria Portugal em receber selecções como o Togo ou as Honduras? Que benefício traria para a economia do país real um jogo em Lisboa? (...) E valerá a pena? Ter um Mundial só para dizer que se tem, não parece o ideal neste momento... Assim não!”
Para finalizar, antes de se saber quem iria ganhar a candidatura ao Mundial de 2018, José Rodriguez Zapatero, primeiro-ministro espanhol, afirmou que o TGV era um dos trunfos da candidatura conjunta, argumento utilizado para convencer a FIFA. A minha questão é: será que com a perda da candidatura, a rede ferroviária de alta velocidade se irá manter? Para muitos portugueses que olham para o estado de crise que o país vive actualmente e para os seus bolsos, a resposta é óbvia: “Oxalá que não!”