Acerca de mim

Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa
Crónicas também acessíveis quinzenalmente no jornal "Notícias de Lafões".


terça-feira, 23 de novembro de 2010

Consumismo: a doença dos nossos dias


Vivemos numa sociedade urbana, moderna e industrial escravizada pelo consumo desenfreado de produtos embalados por ilusões publicitárias. Tudo se compra e tudo se vende. Por todos os lados, há montras que nos atraem com as suas efémeras mercadorias, as suas sedutoras promoções e as suas promessas de felicidade instantânea. A televisão mostra-nos realidades imaginárias, impõe-nos modas a seguir, sonhos para sonhar e pessoas para ser.
Todos nós precisamos de consumir com o objectivo de satisfazer as nossas necessidades básicas para a sobrevivência. O consumo apresenta-se como uma actividade natural e saudável, quando praticada de forma consciente e dentro do necessário, sendo assim indispensável. O facto é que esta aquisição de bens está, cada vez mais, a ser feita de uma maneira desenfreada pelos diversos segmentos da sociedade a ponto de abalar as estruturas financeiras das pessoas. Hoje em dia, usa-se o recurso das compras para aliviar o stress e os mais variados conflitos e, de facto, para alguns, é um remédio que resulta. Diariamente, a publicidade enche as pessoas de ilusões, fazendo com que elas acreditem que o acumular de bens materiais as torna mais felizes. De facto, a crise de que tanto se fala e que nos coloca em estados de tristeza, ansiedade e depressão, faz-nos consumir desenfreadamente para preencher um vazio com coisas que possivelmente não nos fazem falta.
Esta semana, uma das notícias relevantes foi a abertura dos grandes hipermercados ao Domingo à tarde até à meia-noite. Duas questões importantes de que se falaram foram o aumento do emprego, mas também o aumento do consumismo. Pessoas que, ao Domingo, iam passear e aproveitar o sol outonal, agora é vê-las fechadas nos supermercados, supostamente a dar apenas uma vista de olhos. Mas a verdade é que acabam sempre por consumir algo que, supostamente, lhes faz falta. Sendo os domingos e feriados dias de reunião familiar, compostas por menores, não é inocente que os hipermercados queiram atrair estes grupos de consumidores para a luminosidade do marketing das suas superfícies. Promove-se assim o consumismo desaforado numa sociedade de consumo sobreendividada e composta por 20% de pobres. Há quem considere que esta medida visa incentivar o consumismo em detrimento do consumo racional e responsável, com impacto negativo nos escassos orçamentos familiares, no comércio de proximidade e nas condições dos trabalhadores envolvidos.
Hoje em dia, os jovens consomem cada vez mais e a verdade é que já não querem coisas baratas, querem sempre as coisas mais caras, pois vivem na ilusão de que isso lhes vai trazer mais felicidade… Para estes jovens, ter é ser! Alguns séculos antes de Cristo, Sócrates, um conhecido filósofo grego, gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. Quando assediado pelos vendedores de rua, respondia: “Estou apenas a observar, quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz…” Outros tempos!

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