Acerca de mim

Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa
Crónicas também acessíveis quinzenalmente no jornal "Notícias de Lafões".


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A Crise, segundo Einstein


O físico alemão Albert Einstein é um grande exemplo de superação. Aos 3 anos de idade apresentava dificuldades em comunicar. Na primeira tentativa em ingressar na universidade,reprovou. Mesmo sendo um aluno acima da média, era considerado mais lento do que os colegas de sala na resolução de problemas matemáticos. Dizem até que reprovou na matéria que, mais tarde, iria consagrá-lo com um prémio Nobel. Einstein sofreu influência positiva de um jovem estudante de medicina, o que suscitou no miúdo de 10 anos o gosto pela leitura de obras mais elaboradas. A sua mente brilhante não estava somente voltada para os cálculos matemáticos, o que pode ser demonstrado na sua opinião acerca dos momentos de crise: Einstein sempre teve uma gigantesca preocupação pelo futuro da humanidade. Em 1935 ele escreveu um livro chamado “ Como eu vejo o mundo” onde fez um apanhado geral sobre a crise económica: Este pequeno texto faz-nos reflectir e buscar um pouco mais das opiniões deste génio, que, como muitos judeus, conseguiu fugir da Alemanha nazista, mas conheceu de perto a miséria e o caos durante a grande depressão americana de 1930.

“Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor bênção que pode ocorrer com pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia como o dia nasce da noite escura. É nas crises que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar “superado”.
Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta o seu próprio talento e respeita mais os problemas que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e as soluções fáceis Sem crises não há desafios, sem desafios a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, TRABALHEMOS DURO. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a TRAGÉDIA DE NÃO QUERER LUTAR PARA SUPERÁ-LA.”

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Nós, portugueses, renunciamos!

Neste momento de aflição em que todos temos de dar as mãos e deixar de olhar só para o nosso umbigo, correspondo ao apelo de quem nos governa e de quem apoia quem nos governa, faço pública parte da lista que o Estado criou e mantém para nossa felicidade, e de que nós, portugueses, estamos dispostos a patrioticamente prescindir.
Assim:
 - Renunciamos a boa parte dos institutos públicos criados com o propósito de nos servir;
 - Renunciamos à maior parte das fundações públicas, privadas e àquelas que não se sabe se são públicas ou se são privadas, mas generosamente alimentadas para nosso proveito, com dinheiros públicos;
 - Renunciamos ao bem que nos faz ver o nosso semelhante deslocar-se no máximo conforto de um automóvel de topo de gama pago com as nossas contribuições para o Orçamento do Estado, e nessa medida estamos dispostos a que se decrete que administradores das empresas públicas, directores e dirigentes dos mais variados níveis de administração, passem a utilizar os meios de transporte que o seu vencimento lhes permite adquirir;
 - Renunciamos à defesa dos direitos adquiridos e à satisfação que nos dá constatar a felicidade daqueles que, trabalhando metade do tempo que nós, meros cidadãos, trabalhámos, garantiram há anos uma pensão correspondente a 5 vezes mais do que aquela que nós auferiremos;
 - Renunciamos ao direito de saber o que propõem os partidos políticos nas campanhas pagas com milhões e milhões de euros que o Estado para eles transfere, conformando-nos com a falta de propaganda e satisfazendo-nos com a sobriedade da mensagem política honesta, clara e simples;
 - Renunciamos ao serviço público de televisão e aceitamos, mesmo que contrariados, a assistir às mesmas sessões de publicidade na RTP, agora nas mãos de um qualquer grupo privado;
 - Renunciamos a mais submarinos, a mais carros blindados, a mais missões no estrangeiro dos nossos militares, bem sabendo que assim se põe em perigo a solidez granítica da nossa independência nacional e o prestígio de Portugal no mundo;
 - Renunciamos ao sossego que nos inspira a produtividade assegurada por 230 deputados na Assembleia da República, estando dispostos a sacrificar-nos apoiando - com tristeza - a redução para metade dos nossos representantes.
 - Renunciamos, com enorme relutância, a fazer o percurso Lisboa-Madrid em 3h e 30m, dispondo-nos - mesmo que contrariados mas cientes do sacrifício que fazemos pela Pátria - a fazer pelo ar por metade do custo o mesmo percurso em 1 h e picos, ainda que não em Alta Velocidade.
 - Renunciamos ao conforto de uma deslocação de 50 km desde as nossas humildes casas até ao futuro aeroporto de Lisboa para apanhar o avião para Madrid em vez do TGV, apesar da contrariedade que significa ter de levantar voo e aterrar pertinho da minha casa.
 - Renunciamos a mais auto-estradas, conformando-nos, com muito pena, com a reabilitação da rede nacional de estradas ao abandono e lastimando perder a hipótese de mudar de paisagem escolhendo ir para o mesmo destino entre três vias rápidas todas pagas com o nosso dinheiro, para além de corrermos o triste risco de assistirmos à liquidação da empresa Estradas de Portugal.
Seria fastidioso alongar-me nas coisas que o Estado criou para o bem estar de nós, portugueses, e que me disponho a não mais poder contar. E lanço um desafio aos leitores do Notícias de Lafões : renunciem também! Apoiemos todos, patrioticamente, o governo a ajudar o País nesta hora de aflição. Portugal merece.

Consumismo: a doença dos nossos dias


Vivemos numa sociedade urbana, moderna e industrial escravizada pelo consumo desenfreado de produtos embalados por ilusões publicitárias. Tudo se compra e tudo se vende. Por todos os lados, há montras que nos atraem com as suas efémeras mercadorias, as suas sedutoras promoções e as suas promessas de felicidade instantânea. A televisão mostra-nos realidades imaginárias, impõe-nos modas a seguir, sonhos para sonhar e pessoas para ser.
Todos nós precisamos de consumir com o objectivo de satisfazer as nossas necessidades básicas para a sobrevivência. O consumo apresenta-se como uma actividade natural e saudável, quando praticada de forma consciente e dentro do necessário, sendo assim indispensável. O facto é que esta aquisição de bens está, cada vez mais, a ser feita de uma maneira desenfreada pelos diversos segmentos da sociedade a ponto de abalar as estruturas financeiras das pessoas. Hoje em dia, usa-se o recurso das compras para aliviar o stress e os mais variados conflitos e, de facto, para alguns, é um remédio que resulta. Diariamente, a publicidade enche as pessoas de ilusões, fazendo com que elas acreditem que o acumular de bens materiais as torna mais felizes. De facto, a crise de que tanto se fala e que nos coloca em estados de tristeza, ansiedade e depressão, faz-nos consumir desenfreadamente para preencher um vazio com coisas que possivelmente não nos fazem falta.
Esta semana, uma das notícias relevantes foi a abertura dos grandes hipermercados ao Domingo à tarde até à meia-noite. Duas questões importantes de que se falaram foram o aumento do emprego, mas também o aumento do consumismo. Pessoas que, ao Domingo, iam passear e aproveitar o sol outonal, agora é vê-las fechadas nos supermercados, supostamente a dar apenas uma vista de olhos. Mas a verdade é que acabam sempre por consumir algo que, supostamente, lhes faz falta. Sendo os domingos e feriados dias de reunião familiar, compostas por menores, não é inocente que os hipermercados queiram atrair estes grupos de consumidores para a luminosidade do marketing das suas superfícies. Promove-se assim o consumismo desaforado numa sociedade de consumo sobreendividada e composta por 20% de pobres. Há quem considere que esta medida visa incentivar o consumismo em detrimento do consumo racional e responsável, com impacto negativo nos escassos orçamentos familiares, no comércio de proximidade e nas condições dos trabalhadores envolvidos.
Hoje em dia, os jovens consomem cada vez mais e a verdade é que já não querem coisas baratas, querem sempre as coisas mais caras, pois vivem na ilusão de que isso lhes vai trazer mais felicidade… Para estes jovens, ter é ser! Alguns séculos antes de Cristo, Sócrates, um conhecido filósofo grego, gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. Quando assediado pelos vendedores de rua, respondia: “Estou apenas a observar, quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz…” Outros tempos!

É o país que temos!!!


Caros leitores, poderia vir para este espaço falar sobre um número infinito de temas, mas o que realmente considero importante é o estado do nosso país. A crise (palavra mais referida nos nossos jornais televisivos) provoca em nós, portugueses, um estado de ansiedade, um estado depressivo, um país à beira de um ataque de nervos. Mas a verdade é que está provado que os portugueses toleram bem, por exemplo, o tráfico de influências e que até vêem nele a única forma de ultrapassar um Estado lento e desatento aos seus direitos e necessidades. Um inquérito realizado à população portuguesa revela que as chamadas “cunhas” e os pedidos para “mexer os cordelinhos” fazem parte do modo de vida dos portugueses. Ao mesmo tempo que revelam uma enorme condescendência em relação ao favorecimento e à cunha, os portugueses afirmam que teriam mão pesada na punição de actos corruptos. Porém, se a maioria garante que denunciaria esse tipo de crimes de que tivesse conhecimento, na realidade, os portugueses recolhem-se ao silêncio e à indiferença. Isto porque as queixas dos cidadãos junto das autoridades são praticamente nulas.
E, de facto, este é o país que temos e que admitimos ter! E podemos falar de um sem número de exemplos. Um jovem de 18 anos recebe 200 € do Estado para não trabalhar; um idoso recebe de reforma 236 € e depois de toda uma vida de trabalho. Um marido oferece à sua mulher um anel e tem de o declarar ao fisco. Este mesmo fisco penhora indevidamente o salário de um trabalhador e demora 3 anos a corrigir um erro. Nas zonas mais problemáticas das áreas urbanas existe 1 polícia para cada 2000 habitantes e o Governo diz que não precisa de mais polícias.
            Mas há mais: um professor é sovado por um aluno e o Governo diz que a culpa é das causas sociais O Governo incentiva as pessoas a procurarem energias alternativas ao petróleo e depois multa quem coloca óleo vegetal nos carros porque não paga ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos). Fechamos a janela da nossa varanda e estamos a fazer uma obra ilegal, constrói-se um bairro de lata e ninguém vê. Se o seu filho não tem cabeça para a escola e, com 14 anos, o põe a trabalhar consigo num ofício respeitável, é exploração do trabalho infantil. No entanto, se o seu filho com 7 anos participa em gravações de telenovelas 8 horas por dia ou mais, a criança tem muito talento, sai ao pai ou à mãe! Numa farmácia paga-se 0.50€ por uma seringa que se usa para dar um medicamento a uma criança. Se fosse toxicodependente, não pagava nada! É o país que temos e que admitimos ter! Um Ministro das Finanças diz que não consegue dormir quando pensa nas medidas de austeridade, mas os portugueses com ordenados miseráveis e com contas para pagar, pelos vistos, têm um sono descansado. E para terminar esta lista infindável de contradições, termino com uma que decerto nos fará rir a “bandeiras despregadas”… ou não: um deputado do PS disse recentemente que os políticos são dos que perdem mais dinheiro com as medidas de austeridade apresentadas pelo Governo. Esquece-se que sustentar 230 deputados e respectivas comitivas custam aos contribuintes, em vão, centenas de milhões de euros. Enfim, é o país que temos e que admitimos ter… Vale a pena pensar nisto!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Bem-vindos

Olá, caros leitores deste mais recente blog! Sou uma jornalista licenciada, mas que nunca trabalhou na área. Mas a paixão falou mais alto e, por isso, publico alguns textos num jornal regional da área de Viseu. De duas em duas semanas tenho o meu nome publicado num jornal e isso dá-me alento para continuar a lutar pela minha área de formação. Desta forma, e porque a Internet permite a expansão das nossas opiniões, publicarei aqui todos os textos que escrevo para o referido jornal e fico à espera dos comentários, ideias para temas, sugestões...