Acerca de mim

Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa
Crónicas também acessíveis quinzenalmente no jornal "Notícias de Lafões".


terça-feira, 23 de novembro de 2010

Nós, portugueses, renunciamos!

Neste momento de aflição em que todos temos de dar as mãos e deixar de olhar só para o nosso umbigo, correspondo ao apelo de quem nos governa e de quem apoia quem nos governa, faço pública parte da lista que o Estado criou e mantém para nossa felicidade, e de que nós, portugueses, estamos dispostos a patrioticamente prescindir.
Assim:
 - Renunciamos a boa parte dos institutos públicos criados com o propósito de nos servir;
 - Renunciamos à maior parte das fundações públicas, privadas e àquelas que não se sabe se são públicas ou se são privadas, mas generosamente alimentadas para nosso proveito, com dinheiros públicos;
 - Renunciamos ao bem que nos faz ver o nosso semelhante deslocar-se no máximo conforto de um automóvel de topo de gama pago com as nossas contribuições para o Orçamento do Estado, e nessa medida estamos dispostos a que se decrete que administradores das empresas públicas, directores e dirigentes dos mais variados níveis de administração, passem a utilizar os meios de transporte que o seu vencimento lhes permite adquirir;
 - Renunciamos à defesa dos direitos adquiridos e à satisfação que nos dá constatar a felicidade daqueles que, trabalhando metade do tempo que nós, meros cidadãos, trabalhámos, garantiram há anos uma pensão correspondente a 5 vezes mais do que aquela que nós auferiremos;
 - Renunciamos ao direito de saber o que propõem os partidos políticos nas campanhas pagas com milhões e milhões de euros que o Estado para eles transfere, conformando-nos com a falta de propaganda e satisfazendo-nos com a sobriedade da mensagem política honesta, clara e simples;
 - Renunciamos ao serviço público de televisão e aceitamos, mesmo que contrariados, a assistir às mesmas sessões de publicidade na RTP, agora nas mãos de um qualquer grupo privado;
 - Renunciamos a mais submarinos, a mais carros blindados, a mais missões no estrangeiro dos nossos militares, bem sabendo que assim se põe em perigo a solidez granítica da nossa independência nacional e o prestígio de Portugal no mundo;
 - Renunciamos ao sossego que nos inspira a produtividade assegurada por 230 deputados na Assembleia da República, estando dispostos a sacrificar-nos apoiando - com tristeza - a redução para metade dos nossos representantes.
 - Renunciamos, com enorme relutância, a fazer o percurso Lisboa-Madrid em 3h e 30m, dispondo-nos - mesmo que contrariados mas cientes do sacrifício que fazemos pela Pátria - a fazer pelo ar por metade do custo o mesmo percurso em 1 h e picos, ainda que não em Alta Velocidade.
 - Renunciamos ao conforto de uma deslocação de 50 km desde as nossas humildes casas até ao futuro aeroporto de Lisboa para apanhar o avião para Madrid em vez do TGV, apesar da contrariedade que significa ter de levantar voo e aterrar pertinho da minha casa.
 - Renunciamos a mais auto-estradas, conformando-nos, com muito pena, com a reabilitação da rede nacional de estradas ao abandono e lastimando perder a hipótese de mudar de paisagem escolhendo ir para o mesmo destino entre três vias rápidas todas pagas com o nosso dinheiro, para além de corrermos o triste risco de assistirmos à liquidação da empresa Estradas de Portugal.
Seria fastidioso alongar-me nas coisas que o Estado criou para o bem estar de nós, portugueses, e que me disponho a não mais poder contar. E lanço um desafio aos leitores do Notícias de Lafões : renunciem também! Apoiemos todos, patrioticamente, o governo a ajudar o País nesta hora de aflição. Portugal merece.

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